29

jul
Chuva

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E então me deparei com o preconceito. Estava distraída, passeando pelas redes sociais, e ali estava ele, nu e cru, servido para mim em forma de opinião. De início achei que fosse piada, falta de conhecimento ou contexto histórico, sabe? Mas não. Por mais que eu negasse a ideia, aquele ser humano se apresentava como um ser superior.

De repente sua cultura era melhor, sua comida mais saborosa e seus antepassados mais importantes. Fiquei chocada e quase sem ar ao perceber que nada o convenceria da minha humanidade, e do meu direito a algo além do desprezo oferecido. Afinal, o que preciso fazer para ser considerada tão humana quanto, tão inteligente quanto, tão culturalmente importante quanto? Em um instante eu era menos, apenas menos, sem qualquer chance de resgatar minha terra aparentemente castigada, meu povo considerado inferior e todo o resto ligado a mim.

Confesso que fui teimosa, que gastei meu tempo tentando explicar o que não deveria precisar ser explicado, mas só fiz isso porque algo dentro de mim, lá no fundo, queria me preparar. Porque naquele momento eu soube muitos outros pensam assim e que esse não é o único nem o último insensato. Vivemos em um tempo em que liberdade de expressão é confundida com liberdade de ser preconceituoso, e sendo assim não estamos melhores do que estávamos a séculos atrás. Não conseguimos acabar com o pensamento que começou a escravidão e o holocausto. Nós falhamos, e infelizmente alguém ainda paga por isso.


Postado por Camila Veloso
29

jul
Ciganas

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Ela pegou a mão da moça a força. Por um momento achei que haveria uma briga, mas como por magia a vítima se transformou em amiga. A cigana sussurrava e a vítima escutava, atônita, sem qualquer chance de se livrar do futuro.  O tempo parou para elas e para mim, que observava de longe. Tentei ouvir o que diziam, mas tudo ao redor era silêncio, como se o futuro calasse os sons ao redor por se apresentar. Ao fim da sessão uma nota de cinco reais foi entregue a cigana. Então era isso? Cinco reais e eu saberia dos segredos do amanhã? Fiquei tentada, confesso.

Tentando achar um taxi andei de um lado para o outro na praça. Elas se aproximaram, me perguntaram se eu queria saber da minha sorte, e surpresa respondi que não. Apesar da curiosidade, diversos outros princípios e crenças me levaram a recusar a oferta. Mesmo assim continuei observando a cena, ainda querendo ouvir o futuro alheio.

Saias longas e coloridas enfeitavam seus corpos cansados. Os cabelos longos eram presos e os pés adornavam chinelos baratos. Mesmo com uma imagem que não passava confiança cada ouvinte parecia encantado ao ouvir o que elas tinham a dizer, e me perguntei o que faziam. Leitura corporal? Pacto com o diabo? Quantas maneiras existem para ler o futuro?  E porque o futuro se revelaria a elas?

Tentando desvendar as técnicas secretas vi o restante da família chegar. Quatro meninas usando as mesmas saias longas e coloridas correram pela praça. A cigana mais velha, ajuntando-as, lhes entregou algum dinheiro e elas saíram felizes para a sorveteria, como qualquer criança. De dentro do táxi vi seus rostos felizes e açucarados ficarem para trás. Aquelas mulheres estavam trabalhando, provendo para seus filhos com o que sabiam, com o que podiam. Essa era a técnica mais secreta que as motivava a continuar ali, no sol o dia inteiro, lendo estranhos. Ou pelo menos foi isso que concluí. Não sei. Os rostos dos que receberam o futuro ainda iluminam minhas lembranças.


Postado por Camila Veloso
11

jul
Diário de Looks: Quem é vivo sempre aparece

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Não me lembro da última vez que postei um look aqui. Acho que foi antes de passar na faculdade, antes de toda a loucura de mudança e adaptação começar. As fotos daquele último post ficaram tão boas que voltei ao mesmo lugar. Infelizmente voltei mais tarde e a iluminação não estava tão boa. Enfim…

Cortei o cabelo. 😉 Voltei de férias e prometi a mim mesma que traria o blog de volta à vida. Lendo os posts antigos percebi que esse aqui é, além de um espaço para falar com vocês, um espaço para falar comigo mesma e não posso abandonar isso. 

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Blusa estampada de tecido fino. Tennis da Keeds. Jeans simples.


Postado por Camila Veloso
08

jul
Aprendendo Italiano através da Música

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Um minuto de silêncio para celebrar a minha volta e enquanto isso você pega seus fones, ok? Ótimo. No post de hoje finalmente trago mais músicas para meus queridos autodidatas que querem aprender italiano, e, com a novidade de que são estilos musicais diferentes dos que estão presentes nos outros posts. Prontos?

Gemelli DiVersi

O grupo é antigo, lançou o primeiro álbum em 1998, e se você procurar pelas músicas do grupo vai encontrar clipes que lembram os Backstreet Boys nos dias de glória. A música que coloquei aqui é a mais atual do grupo e, mesmo que não gostem das outras, ouvi-la vai fazer o algoritmo do Youtube de sugerir mais músicas em italiano. =)

Emis Killa

Esse é um raper italiano que começou em um concurso chamado ‘’ Tecniche Perfette’’. Depois disso Emis assinou um contrato com uma gravadora onde publicou 3 albuns. Com um pouco de esforço consegui entender algumas palavras da música de Emis. É mais difícil por ser Rap, mas uma ótima opção de ritmo já que os outros grupos italianos as vezes tem uma melodia mais melodramática.

E ai, que acharam? Tem mais alguma sugestão? Deixe aqui nos comentários. Preciso da ajuda de vocês também =)


Postado por Camila Veloso