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nov
O Reencontro

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A história que você vai ler a seguir é uma Fanfic produzida em uma aula do curso de Produção Editorial. Escolhi escrever o reencontro de dois personagens do Livro ” Fala Sério, Amor”, mais especificamente de Malu e Guilherme Almeida, seu primeiro amor. Espero que gostem.

 

Era um dia feio, nublado, horrível mesmo, mas decidi que queria ir ao shopping. Coloquei o primeiro jeans que achei no guarda-roupa mais aquela camiseta branca que sempre uso para a faculdade e fui. Fui andando. Cheguei meio descabelada, mas quem liga! Eu estava lá para comprar roupas bonitas e aproveitar um lugar brilhante e cheiroso. 

Entrei em algumas lojas baratas e comecei pelas peças básicas. Comprei uma blusa mais soltinha, estampada, e depois algumas mais simples com gola V. Já estava pronta para entrar nas lojas mais caras com meu sorvete quase terminado quando o vi. Chocada acabei deixando o ultimo pedaço da casquinha de chocolate cair no chão.

– Malu? – Ele disse, e quase tive um treco por me reconhecer assim tão rápido. Ok, a gente era amigo no Facebook, mas achei que minha foto de perfil fosse mais bonita do que eu pessoalmente naquele momento.

– Oi! Guilherme? – Disse confusa, pensando se deveria chama-lo de Guilherme Almeida como fazia quando criança, ou se deveria falar apenas o primeiro nome como as mulheres bonitas, confiantes e normais fazem.

– Caramba, há quanto tempo! O que está fazendo aqui em Sampa? Achei que você ainda estava no Rio de Janeiro!

– Ah, pois é… – Disse enquanto tentava arrumar o cabelo e tirar alguma remela do olho. – Vim para cá por causa da faculdade.

Contei a ele o curso que estava fazendo, da minha vida em SP, e ele ouviu tudo com um sorrisão no rosto. Será que ele ainda lembrava? Será que se lembrava que fomos namorados aos seis anos de idade e que ele era apaixonado pelo meu pé? FALA SÉRIO, MEU PÉ, GALERA! Que coisa ridícula. Mas pelo menos essa do pé era uma coisa dele e não minha. E como eu era doida por ele…

Aliás, será que ele tinha namorada? Enquanto ele falava dos seus passeios por São Paulo fiz um raio-x nas mãos dele. Nenhum arco brilhante entre os dedos. Um alívio? Calma, Malu, calma. Está mesmo interessada no Guilherme Almeida de novo? Tudo bem que ele cresceu, obviamente frequenta uma academia, tem barba, um sorriso cativante, uma voz maravilhosa e… Ok, acho que todos aqui já entenderam.

– Pois é, Malu, que estranho a gente se encontrar assim, do nada, depois de tantos anos.

– Sim. Para qual escola você foi transferido mesmo? – Me fiz de desentendida, como se eu não soubesse de cada detalhe através das redes sociais.

– Colégio Santo Augusto.

– A é, agora lembrei. Fiquei super triste na época.

– Ficou? – Disse ele, meio confuso meio sorridente. Tive vontade de me dar um tapa. NÃO ENTREGA O JOGO MALU!

– Ah, é, fiquei. – Respondi encabulada. – Nós éramos muito amigos, lembra?

– Uhm… Achei que éramos mais que amigos naquela época…

Nesse momento me esqueci de respirar por alguns segundos e ofereci o melhor sorriso que consegui forjar. ELE LEMBRA DE TUDO! Será que também me stalkeou nas redes sociais?

– Pois é. Acho que éramos.

– Bons tempos. Lembra como tudo aconteceu? Que eu quis ver seu pé primeiro?

Ri alto por alguns segundos

– Claro que lembro!

– Qual era o meu problema, Malu? O pé?

– Pois é… Se fosse hoje, acho que não passaria no teste. Pés de criança são lindos, mas de jovens adultos nem tanto.

– Ah, para, Malu. Você é linda, aposto que seus pés ainda são lindos também.

 Uôu, então eu era linda? Confesse, Guilherme Almeida, você está caidinho por mim. CA-I-DI-NHO!

– Obrigada. – Disse já confiante apesar da minha roupa desleixada.

– De nada. Eu tenho que ir agora, mas… Me passa seu telefone? Pra gente não perder contato?

– Claro – Disse já tirando o celular do bolso. – Só promete que não vai pedir fotos do meu pé no Whatts.

– Do seu pé não. – Ele riu. Minuto de silêncio. – Quer dizer…. Nem do pé nem de nenhuma outra parte. Ai, o que foi que eu disse? Malu, eu juro que não sou desses e…

– Tá tudo bem, Guilherme Almeida. – Respondi toda fofa. Um desperdício de charme aliás, se eu soubesse o que viria a seguir.

– Mas assim, não espera um telefonema agora. Talvez eu demore um pouco por causa do reality e tudo mais…

Reality? Oi? Do que o Guilherme Almeida estava falando? Minha cara deveria expressar todas as minhas dúvidas porque ele começou a se explicar logo em seguida.

– É que assim, você já deve ter ouvido falar que eu pro BBB, o Facebook só fala disso. E você sabe, néh, são três meses de confinamento…

– Ah, entendi. – Respondi confusa –  Mas vai ser agora? Estamos em novembro. O BBB não começa no início do ano?

– Ah, sim, começa, mas tem toda uma preparação, sabe? Eu e minha equipe temos muito trabalho pela frente e isso inclui com quem me relaciono.

Por dez minutos Guilherme, não mais merecedor do Almeida, me explicou sua vida de pré-celebridade. Eventos para comparecer, estratégias para traçar, perfis de outros participantes para estudar. A coisa era séria. Com ele falando naquele tom sério e com aquela voz sedutora por um instante pensei que, realmente, o BBB é um dos programas mais sérios da TV brasileira. Quando ele parou de falar eu estava hipnotizada.

– Entendo, entendo – Me desculpei. – Pode ficar tranquilo quanto a isso, não vou te incomodar nas redes sociais nem nada.

– Ah, obrigado, sabe como essas coisas são, néh, gata. – Disse ele afastando, com todo o charme que lhe restava, uma mecha de cabelo do meu rosto. Esse gesto combinado com seu sorriso e aquele ‘’gata’’ que substituiu meu nome me acordaram do encanto. Ele estava dizendo que não podia me ligar porque eu era um lixo qualquer sem visibilidade? Sem projeção nos negócios? Mas esse Guilerme Almeida! Senti vontade de mostrar meu pé de novo, só que dessa vez pra dar um chute na fuça maravilhosa dele.

– Acho que não sei – Disse afastando a mão dele. – Mas tudo bem. Agora vou sair pra nenhum paparazzi nos fotografar juntos.

Ele suspira, surpreso.

– Ah, nossa, é verdade…

Quase gargalhei quando vi que ele tinha mesmo achado que havia algum paparazzi ali. Quem era aquele garoto? Fala sério, Guilherme. Em pensar que há alguns minutos atrás eu estava pensando em sair com ele.

Me despedi e me fui comprar outro sorvete. Eu precisava agradar a criança dentro de mim que por sorte escapou de acabar para sempre com aquele cara. No final, percebi que a melhor lembrança que eu poderia ter do Guilherme Almeida era aquela da infância, onde ele era só um garotinho estranhamente apaixonado por mim e meus pés.


Postado por Camila Veloso




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